quinta-feira, 28 de maio de 2009

Fotos do Ciclo de Palestras Internacionais de Análise do Comportamento UFSJ (09/03/2009)

Da esquerda para a direita:
Nuno,Viviane, Diego"Zoreia", Profº Roosevelt, Paulo Celso, Heron e Diego.


Parabéns a todos os membros da LAAC-UFSJ 2009


Obrigado a todos que participaram!

quinta-feira, 23 de abril de 2009

Misantropia Moderna X Repertório Comportamental

Cada vez mais a mídia transmiti novos casos de pessoas que por algum motivo, premeditadamente, entram armadas em um local e assassinam outras pessoas. Quando se descobrem sobre o comportamento dessas pessoas, elas possuem praticamente o mesmo perfil. Veja a matéria do Último Segundo:

Pela Internet, atirador da Finlândia louvava a misantropia

As opiniões acerca dos os motivos são sempre as mesmas: "Ele era muito fechado e parecia não gostar muito das pessoas, só podia acabar assim!"

Bom se isso fosse "a causa" mais de 1/4 da população mundial, principalmente do hemisfério norte, já estaria planejando seus alvos.

A Misantropia defini-se por uma aversão ao contato social, uma tendência ao isolamento e esquiva de qualquer interação social, principalmente com pessoas novas.

O indivíduo que apresenta um comportamento misantropo não demonstra preocupação alguma em se dar bem com as outras pessoas, de ter uma vida social preenchida, tendendo a ter pouca ou praticamente nenhuma "vida social".

Para a Análise do Comportamento esse e outros tipos "rotulações" não ajudam em nada e podem até atrapalhar em alguns casos.

Não ajuda, pois, quando uma pessoa procura um Psicólogo Clínico, o profissional não vai planejar sua intervenção de acordo com diagnóstico apresentado pela pessoa. Ele fará seu planejamento através de uma Análise Funcional (click para saber mais) que orientará sua prática.

Pode atrapalhar, pois, muitas vezes esses "diagnósticos" servem para fechar e "resolver" o problema: "Ele matou 15 estudantes porque era misantropo". Dá-se o problema por encerrado.

Tudo o que se faz é apenas nomear e descrever o problema, e descrever de uma forma muito imprecisa, já que muitas pessoas apresentam comportamentos compatíveis com a descrição e vivem muito bem.

Pessoas que relatam ter problemas com convívio social provavelmente, no passado foram submetidas, predominantemente à contingências de controle aversivo. Suas tentativas de engajamento social podem ter sido no punidas( +/-) pelos pais e/ou colegas. Há então um déficit na aprendizagem desse repertório comportamental, que passa a ser mantido, ou seja no presente, praticamente por reforçamento negativo (fuga/esquiva). Esse repertório que é enfraquecido é o chamado repertório em Habilidades Sociais (HS). Muitas dessas pessoas precisam passar por um treinamento em HS.

Quando dizemos que alguém é misantropo, estamos somente dizendo um pouco sobre como ela se comporta e não dotando-a de algo mágico ou sobrenatural.

Lembrando que o indivíduo se comporta o tempo todo, ou seja, se um repertório de HS é enfraquecido, um outro acaba sendo fortalecido, ex.: pessoas que são excelentes na profissão e não tão boas nos relacionamentos.

Este comportamento de de isolar-se só se torna um problema quando causa sofrimento diretamente para a própria pessoa ou indiretamente através de seus familiares.

Exemplos conhecidos de Famosos com déficit em HS:
  • Isaac Newton
  • Albert Einstein
  • Tim Burton
  • Johnny Depp
  • Keanu Reeves
  • Sharon Stone
  • Natalie Portman
  • Franz Kafka
  • Fernando Pessoa
  • Christina Ricci
  • Machado de Assis

Para saber mais:


Habilidades Sociais

Os principais Pesquisadores que trabalham com HS no Brasil são:

Zilda A. P. Del Prette e Almir Del Prette -UFSCAR e Marina Bandeira -UFSJ.

segunda-feira, 13 de abril de 2009

"Depois de amanhã, sim, só depois de amanhã..." O Comportamento de Procrastinar


Depois de amanhã, sim, só depois de amanhã…
Levarei amanhã a pensar em depois de amanhã.
E assim será possível; mas hoje não…
Não, hoje nada; hoje não posso. (...)

Só depois de amanhã…
Hoje quero preparar-me,
Quero preparar-me para pensar amanhã no dia seguinte…
Ele é que é decisivo.
Tenho já o plano traçado; mas não, hoje não traço planos…
Amanhã é o dia dos planos.
Amanhã sentar-me-ei à secretária para conquistar o mundo;
Mas só conquistarei o mundo depois de amanhã…(...)

A minha vida triunfar-se-á
Todas as minhas qualidades reais de inteligente, lido e prático
Serão convocadas por um edital…
Mas por um edital de amanhã.
Hoje quero dormir, redigirei amanhã… (...)

Esses são trechos da poesia "Adiamento" de Fernando Pessoa.

Nesta semana estava ouvindo o cd "Remix em Pessoa" (confira no final do post o vídeo da música) e me chamou muito a atenção esta poesia de Pessoa. Ele fala de um personagem que tem planos para sua vida, mas diz que só irá realizá-los depois de amanhã, nunca hoje, agora.

Lembrou-me muito de vários comportamentos que vamos deixando sempre pra depois.
Como em várias tarefas da faculdade que vamos "empurrando com a barriga" e só fazemos mesmo na véspera pra entregar e em algumas vezes acabamos ficando tristes com o resultado e nos sentindo culpados porque tivemos muito tempo pra fazer aquilo direito.

Pois é! Este é o comportamento de Procrastinação.

Procrastinar vem originalmente do latim, significando deixar pro dia seguinte, adiar, fazer fora do prazo.

Por que será que mesmo sabendo que deveríamos ler certo texto hoje, para sermos aprovados no final da disciplina, continuamos deixando pra depois e vamos sair pra beber com amigos?

Os estudos mostram vários controles prováveis. Um deles é o custo da resposta, no caso sair com amigos o custo é mais baixo do que ler o texto em que não temos interesse. Também o reforçador é liberado imediatamente (próximo) já que estão previamente pareados com respondentes agradáveis e no caso ler o texto desinteressante, ou seja, já pareados com respondentes aversivos, o reforçador de "ser aprovado" na disciplina está muito distante (atrasado) e somos reforçados negativamente (esquiva) saindo pra beber com amigos.

Bom, mas as contingências mudam! Quando agora a prova é no dia seguinte, estamos "com a corda no pescoço" deixamos tudo de lado e vamos ler os textos procrastinados.
Agora o punidor ou reforçador está bem próximo, superando, em intensidade e magnitude, possíveis comportamentos concorrentes como assistir um filme e até mesmo sair com amigos, amigos estes que devem estar na mesma situação!

No Final dizemos pra nós mesmos que isso nunca mais irá acontecer! hehe... só até o próximo semestre onde ocorre tudo outra vez.
É claro as contingências não mudaram! Você fará tudo da mesma forma, como aprendeu sendo modelado pelas contingências. O comportamento de procrastinar se matem pois é reforçado, nesse caso, mesmo no sufoco conseguimos passar na disciplina. Isto acaba por gerar respostas verbais vocais do tipo: "Eu só funciono sobre pressão mesmo!" Podendo levar à instalação de auto-regras que contribuem para a procrastinação.

Alguns estudos principalmente com universitários mostraram que dispor adequadamente as contingências podem ajudar, por exemplo, se você tem um trabalho pra entregar sem data, marcada, a probabilidade de se engajar para realizá-lo é mínima. O estabelecimento e organização prévia de datas, prazos, reforçadores contingentes aos comportamentos adequados e punidores negativos para os inadequados, demonstram ajudar no cumprimento da maioria das tarefas. É importante dispor adequadamente as regras, principalmente se for você que tiver que demandar algo de alguém para aumentar a probabilidade que a pessoa cumpra.


Assista o vídeo da faixa "Adiamento" do álbum "Remix em Pessoa" de Jô Soares

video

Pra saber mais:

No Brasil a Profª do IPUSP Drª Rachel Kerbauy é uma grande pesquisadora na área da procrastinação.

Click para acessar o artigo: Será o Comportamento de Procrastinar um problema de saúde? (Eliana Isabel de Moraes Hamasaki e Rachel Rodrigues Kerbauy)

Click aqui e confira a poesia "Adiamento" de Fernando Pessoa na íntegra

quinta-feira, 26 de fevereiro de 2009

Café com Skinner part 1: Vida

Skinner nasceu no dia 20 de Março de 1904 em Susquehanna, Pensilvânia, onde viveu até ir para o colégio. Segundo seu próprio relato, seu ambiente da infância era estável e não lhe faltou afeto. Ele freqüentou o mesmo ginásio onde seus pais haviam estudado; havia apenas sete outros alunos em sua sala ao final do curso. Ele gostava da escola e era o primeiro a chegar todas as manhãs. Quando criança e adolescente, gostava de construir coisas: trenós, carrinhos, jangadas, carrosséis, atiradeiras, modelos de aviões e até um canhão a vapor com o qual atirava buchas de batata e cenoura nos telhados dos vizinhos. Passou anos tentando construir uma máquina de movimento perpétuo. Também tinha interesse pelo comportamento dos animais. Lia muito sobre eles e mantinha um estoque de tartarugas, cobras, lagartos, sapos e esquilos listrados. Numa feira rural, ele observou certa vez um bando de pombos numa apresentação; anos mais tarde, ele treinaria essas aves para realizar uma variedade de façanhas.

A conselho de um amigo de família, Skinner se matriculou no Hamilton College de Nova York. Ele escreveu:

“Nunca me adaptei à vida de estudante. Ingressei numa fraternidade acadêmica sem saber do que se tratava. Não era bom nos esportes e sofria muito quando as minhas canelas eram atingidas no hóquei sobre o gelo ou quando melhores jogadores de basquete faziam tabela na minha cabeça... Num artigo que escrevi no final do meu ano de calouro, reclamei de que o colégio me obrigava a cumprir exigências desnecessárias (uma delas era a presença diária na capela) e que quase nenhum interesse intelectual era demonstrado pela maioria dos alunos. No meu último ano, eu era um rebelde declarado”.


Como parte dessa revolta, Skinner instigava trotes que muito perturbaram a comunidade acadêmica e se entregava a ataques verbais aos professores e à administração. Sua desobediência continuou até o dia da graduação, quando na abertura das cerimônias, o diretor o alertou, e aos seus amigos, que, se não se comportassem, não colariam grau.

Ele se formou em inglês, recebeu a chave simbólica da Phi Beta Kappa e manifestou o desejo de tornar-se escritor. Quando criança, tinha escrito poemas e histórias, e, em 1925, num curso de verão de sobre redação, o poeta Robert Frost fizera comentários favoráveis sobre seu trabalho. Durante dois anos depois da formatura, Skinner dedicou-se a escrever e então decidiu que não tinha “nada importante a dizer”. Sua falta de sucesso como escritor o deixou tão desesperado que ele pensou em consultar um psiquiatra. Considerou-se um fracasso e estava com sua auto-estima abalada. Também estava desapontado no amor; ao menos uma meia dúzia de jovens havia rejeitado suas investidas, deixando-o com o que ele descreveu como intensa dor física. Skinner ficou tão perturbado que gravou a inicial do nome de uma mulher no braço, onde ela ficou durante anos.

Depois de ler sobre John B. Watson e Ivan Pavlov, Skinner decidiu transferir seu interesse literário pelas pessoas para um interesse mais científico. Em 1928, inscreveu-se na pós-graduação de psicologia em Harvard, embora nunca tivesse estudado psicologia antes. Foi para a pós-graduação, disse ele, “não porque fosse um adepto totalmente comprometido da psicologia, mas para fugir de uma alternativa intolerável”. Comprometido ou não, doutorou-se três anos mais tarde. Seu tema de dissertação dá um primeiro vislumbre da posição a que ele iria aderir por toda a sua carreira. Sua principal proposição era de que um reflexo não é senão a correlação entre um estímulo e uma resposta.

Depois de vários pós-doutorados, Skinner foi dar aulas na Universidade de Minnesota (1936–45) e na Universidade de Indiana (1945–47). Em 1947, voltou a Harvard. Seu livro de 1938, “O Comportamento dos Organismos”, descreve os pontos essenciais de seu sistema. Cinqüenta anos mais tarde, esse livro foi considerado “um dos poucos livros que mudaram a face da psicologia moderna”, e ainda é muito lido. Seu livro de 1953, “Ciência e Comportamento Humano”, é o manual básico da sua psicologia comportamentalista.

Skinner manteve-se produtivo até a morte, aos oitenta e seis anos, trabalhando até o fim com o mesmo entusiasmo com que começara uns sessenta anos antes. Em seus últimos anos de vida, ele construiu, no porão de sua casa, sua própria “caixa de Skinner” – um ambiente controlado que propiciava reforço positivo. Ele dormia ali num tanque plástico amarelo, de tamanho apenas suficiente para conter um colchão, algumas prateleiras de livros e um pequeno televisor. Ia dormir toda noite às dez, acordava três horas depois, trabalhava por uma hora, dormia mais três horas e despertava às cinco da manhã para trabalhar mais três horas. Então, ia para o gabinete da universidade para trabalhar mais, e toda tarde retemperava as forças ouvindo música.

Aos sessenta e oito anos, escreveu um artigo intitulado “Auto-Administração Intelectual na Velhice”, citando suas próprias experiências como estudo de caso. Ele mostrava que é necessário que o cérebro trabalhe menos horas a cada dia, com períodos de descanso entre picos de esforço, para a pessoa lidar com a memória que começa a falhar e com a redução das capacidades intelectuais na velhice. Doente terminal com leucemia, apresentou uma comunicação na convenção de 1990 da APA, em Boston, apenas oito dias antes de morrer; nela, ele atacava a psicologia cognitiva. Na noite anterior à sua morte, estava trabalhando em seu artigo final, “Pode a Psicologia ser uma Ciência da Mente?”, outra acusação ao movimento cognitivo que pretendia suplantar sua definição de psicologia. Skinner morreu em 18 de Agosto de 1990.

Fonte:www.pedrassoli.psc.br/psicologia/skinner.aspx

quarta-feira, 29 de outubro de 2008

Behavioral Coaching: Psicologia do Esporte




















Achei esse artigo bem interessante na net!

Ele demonstra a abrangência da aplicação da AC em diversas aéreas.
E também mais possibilidades de atuação do profissional analista do comportamento.

Pertence à Eduardo Neves P. de Cillo, redigido a partir de apresentações na II Jornada Mineira de Análise do Comportamento, ocorrida na UFMG, em junho de 2001, Belo Horizonte/MG.

Leia o artigo na íntegra!

Link para o Artigo:

www.iaac.com.br/textos/psicologiaesporte

domingo, 21 de setembro de 2008

Descrevendo as Contigências Aversivas no Banheiro da Faculdade

Essa semana, em uma rápida passada pelo banheiro masculino aqui da universidade, me deparei com mais essa pérola colada em cima do espelho da pia.

Mais um caso de pessoas preocupadas com o desperdício e o meio ambiente. Esse digníssimo sensato indivíduo foi muito feliz em sua intervenção.

Cansado de toda vez se deparar com o rolo de papel higiênico todo "empapado" de água. Manifestou-se então: “Não deixar o rolo de papel higiênico em cima da pia. Sabe por quê? Porque molha e molhando tem que jogar fora. Isso chama-se desperdício; portanto não coloque o rolo de papel higiênico em cima da pia.”

Ou seja, a sagaz pessoa, que provavelmente não é um analista do comportamento, mas sem saber pensou como um, utilizou de um procedimento simples. Descreveu as conseqüências aversivas da resposta de deixar o rolo de papel higiênico na pia.

A idéia foi realmente brilhante e bem funcional, só diria a pessoa que na próxima vez fosse melhor dizer o que as pessoas devem fazer com o rolo e não o que não devem fazer (ex: portanto coloque o rolo de papel higiênico na divisória dos sanitários) aumentando assim, ainda mais a probabilidade de seguirem a regra. Mas parabéns ao anônimo!

Pizzas e Refrigerantes Liberados!!! Comportamento Adjuntivo em um Rodízio

Recentemente estava conversando com um amigo pelos corredores da faculdade sobre nossas preferências acerca das pizzarias existentes na cidade. Depois de muito debate e comparações, chegamos à conclusão de que uma delas era sem dúvidas a campeã, pois nela é servido um rodízio de pizzas com refrigerante á vontade. Porém concordamos, como todo estudante universitário duro que somos, de que só é vantagem ir ao rodízio de pizzas quando ficamos o dia inteiro só com o pão com manteiga do café da manhã na barriga, assim quando chegava a hora de ir a pizzaria fazíamos valer nosso suado dinheirinho, comíamos e bebíamos até explodir, e ainda saíamos dando risadas do dono da pizzaria: “Hahaha, comi e bebi pra uma semana inteira e paguei nem a metade do que normalmente gastaria! Esse pessoal da pizzaria deve levar o maior prejú!”

Bom, depois de várias comilanças e as devidas digestões percebi que esses comportamentos de venda em rodízios eram bastante comuns em várias pizzarias por aí a fora. Então como um bom analista do comportamento que sou, comecei a pensar e pesquisar sobre os controles que atuam nesse tipo de venda, pois, como ele se mantinha, algum tipo de reforçador por parte das pizzarias era obtido, pois não dá pra viver tomando prejuízo financeiro de nós estudantes, famintos malabaristas econômicos.

Pois muito bem, na última vez que voltamos na pizzaria fiz um levantamento de nível de base, de quantos pedaços de pizza habitualmente comeria e o quanto beberia se comesse em casa. Já com os dados mensurados fomos à luta! Comemos e bebemos até enfartar como de costume, e durante a deglutição, fui mensurando a média do tempo em que os pedaços de pizza chegavam a meu prato e o número de fatias e de copos de refrigerante, onde sempre uma garrafa ficava à nossa disposição na mesa e era imediatamente reposta quando finalizada.

Quando fui analisar os dados, tive uma surpresa. Na contingência normal em casa, com as fatias de pizzas e refrigerantes à disposição de meu garfo e copo, sem atuação de operações estabelecedoras (OE Privação de Alimento), em um esquema de reforço contínuo (CRF), minha média era de 4 pedaços de pizza e dois copos de refri (400 ml). Já na contingência rodízio, onde incidia uma poderosa OE de privação de alimento e o esquema de chegada de pedaços de pizzas em meu prato foi em média VT9 minutos (no final o garçom já tava esquivando da nossa mesa, hehehe), o consumo no final da noite foram de, 8 pedaços de pizza e 6 copos de refri (1.200 ml). Como eu mesmo fui coletando os dados, as medidas foram reativas, provavelmente teria bebido mais ainda.

Se pensarmos o preço que a pizzaria cobra em um rodízio que é quase o mesmo de uma pizza de oito fatias inteira, e que geralmente eles servem refrigerantes baratos ou os com embalagens retornáveis. Ponto pra pizzaria!!! Compensa mais pra eles “dar” do que vender refrigerante nos rodízios, espertos que são, sabem que grande parte dos clientes vão sempre famintos. Assim, nós acabávamos sem perceber, por beber bem mais do que o normal, principalmente nos intervalos de uma fatia para outra, e assim saciamos com bem menos do que precisaríamos caso tivéssemos que comprar o refri. Com esse comportamento adjuntivo eles são reforçados positivamente (SR+) com o lucro que ganham. Sem falar nos ganhos de divulgação pra pizzaria, já que todo mundo sai falando muito bem do lugar.

Quando contei de meu breve experimento para uma amiga ela, sem pensar muito, me disse: “Dherrrr! Mas é Óbvio! É claro que eles te entopem de refrigerante, pra daí você não comer nada! E principalmente nós mulheres que já comemos pouco, comemos menos ainda! Eles faturam!”

Pois, é! Esse ingênuo experimento me fez repensar a aplicação do comportamento adjuntivo como forma de marketing e nas vendas, e de nunca mais rir da cara do dono da pizzaria!

O comportamento adjuntivo pode ser bem genericamente definido, como sendo um comportamento mantido de modo indireto por variáveis que controlam um outro comportamento, não sendo mantido diretamente por suas próprias variáveis controladoras.

Falk em seu estudo pioneiro em 1961 observou que ratos em estado de privação de alimento, quando estavam na caixa experimental pressionando a barra em esquema de reforçamento intervalo variável 60s’ (VI60) para a obtenção das pelotas, acabavam por beber mais água do que normalmente bebiam (polidipsia), já que na caixa experimental havia água disponível durante todo o experimento. Ou seja, os ratinhos mesmo famintos, sobre um determinado esquema, acabavam bebendo mais água do que quando estavam na gaiola viveiro onde dispunham de água e comida livremente.

É claro que aqui ainda cabem várias outras análises e implicações, porém a idéia foi só ilustrar e nos divertir demonstrando a abrangência e amplitude de nossa visão beheca sobre o mundo.

É a beleza de nossa querida Análise do Comportamento e seus controles em nosso cotidiano! Vivendo e discriminando!!!

Abraços a todos!

Símbolo da Liga UFSJ